quarta-feira, maio 10, 2017

Raiz do Cântico


Solfejo de emoções
A alagar a alma. Chuvas estivais
Que se despenham
Sinfónicas
E dispersam
Mudas.

E se desenham
No ar. Abstracta pauta
E uma nota solta que brinca
Na pele dos dias.

E subtil
Se anuncia frágil
E se repete (dis)sonante
A subverter
O ritmo da chuva.
E a rima.

Raiz do Cântico
E matriz de Vida!

Manuel Veiga




11 comentários:

Suzete Brainer disse...

Um poema belíssimo, numa expressividade (de obra de arte poética)
sublime a decodificar a chuva, numa sinfonia de pingos
melódicos a se desenhar "na pele dos dias".

A chuva em outro ritmo, o ritmo da emoção,
a matriz de vida...

Uma composição maravilhosa, o poema e a música escolhida,
na explosão melódica (como a chuva...) e na implosão
emocional.

Apreciei imensamente, meu amigo.
beijo.

Ailime disse...

Um poema muito belo!
Bjs
Ailime

Agostinho disse...

Apesar de tudo chove
Ritmo e rima encharcaram
o talento na raiz e
dos átonos pingos
arrumados no verso
refulge vibrante
o cântico sentido
que comove
Pelo ritmo rima
o som

Abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...


e que chova lá fora
porque a alma do Poeta está
envolta em emoções à flor da pele
em sons de chuva
que até rima
sem rimar

muito belo!

beijinhos

:)

luisa disse...

É o poema, claro, a raíz do cântico.

manuela barroso disse...

Porque uma chuva assim, não molha porque é música.
Belíssimo!
beijinho

Odete Ferreira disse...

Há palavras que já nascem com uma responsabilidade acrescida: mensageiras privilegiadas de sentires intensos para momentos excecionais.
Chuva é uma delas. Num precioso momento do poeta, este poema é chuva de emoções e chuva de vida.
Cântico, pois! E muito belo!
Bjinho, Manuel :)

Teresa Almeida disse...

E de raiz o cântico. E as emoções dispersam-se em notas soltas, íntimas e insubmissas.
É um poema dialogante, aberto e inspirador. É uma fuga que prende. Um eco de um livro que quero ler.

A melodia faz-se ao poema, divinamente.

Beijinho, Manuel.

Maria Eu disse...

E como são boas, as emoções, ainda mais ditas assim.

Beijinhos, Manuel :)

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema.
Como é teu timbre, de resto.
Bom fim de semana, caro Veiga.
Um abraço.

graça Alves disse...

Lindo!
Que sorte tem a Virgínia do Carmo em ter poetas assim!
bj