quinta-feira, abril 20, 2017

Paisagem Íntima ...


Sobre as águas o cisne negro
E o suave marulhar das ondas sobre o lago
Azul a fervilhar sob a brisa
E a indiferença da ave.

Ao longe a tímida garça abrindo
A asa ao sol dolente. E a festiva dança
Do abelharuco de voo em riste.

Príncipe da tarde, prossegue o cisne
E a garça agora esboça o ritmo em redor
E todo o lago arde…

E tudo emudece. Até a adventícia ave
Encolhe a pena. E grasna.

E deste lado da paisagem nada
Acontece. Apenas o poeta e a gota de água
E a longa espera.

E o cântico do cisne em melopeia
Lá ao fundo.

(Paisagem íntima)


Manuel Veiga






10 comentários:

luisa disse...

E para quem lê, fica a beleza das aves, a transparências das águas, o brilho das palavras.

manuela barroso disse...

A dolência do cisne e o bailado do abelharuco nesta paisagem, completa-se com a beleza idílica das palavras
Beijinho. Manuel

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei muito desta poética paisagem intima.
A musica é belíssima.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

Teresa Almeida disse...

O poeta, qual príncipe da tarde, permite-nos desfrutar da intimidade da paisagem, de uma forma singular. E a vida do lago tem, agora, uma outra claridade.

O teu cântico é sublime, Manuel Veiga.

Beijinho.

São disse...

Que paisagem íntima tão bela e tão bem acompanhada musicalmente...

Bom fim de semana e abraços

Jaime Portela disse...

Uma bela paisagem poética.
Excelente poema, como sempre.
Bom fim de semana, amigo Veiga.
Abraço.

Ana Freire disse...

Adorei esta imagem intima, de grande encanto, transparência e serenidade...
E uma agradável surpresa, descobrir Eliane Elias... que não conhecia!...
Um post com uma combinação formidável, Manuel!
Beijinho
Ana

LuísM disse...

Manuel, meu caro amigo
É admirável o teu bom-gosto, musical e poético.
Uma óptima escolha esta escolhida. Gostei muito desta cantora/pianista na bossa-nova​ e jazz.
Do poema "paisagem íntima" fico com a impressão de já o ter lido, mas sou péssimo a decorar.E não é só do PDI.
Dele poderei dizer que é um espelho, no suave dia do lago, deste (teu) lado da paisagem... onde "acontece" um olhar... sobre a vida a passar.
E assim... fácil se torna a espera.
Um calorosa abraço, Amigo.

Odete Ferreira disse...

Até podem os elementos serem indiferentes, pois que já marcam a diferenças dos lugares, sobretudo quando deles emana tanta elegância!
Mas ao poeta nada lhe é indiferente. E exulta com a colheita destes olhares, repousando-os, de forma elevada, no verso.
Belo, tudo!
Bjo, Manuel

José Carlos Sant Anna disse...

Fico do lado de cá na delicadeza deste poema imaginando o olhar do poeta decifrando quadro a quadro os enigmas indecifráveis dessa paisagem. Gosto muitíssimo dessa transparência.
Forte abraço, poeta!