terça-feira, dezembro 06, 2016

Cantiga da Burra



Peço desculpa pela repetição
mas já tinha saudades de ouvir aqui
esta lindA canção 




segunda-feira, dezembro 05, 2016

"Este nosso Tempo - Semeemos!..."


Somos o sonho milenar das Pátrias e a Promessa
Que habita o sangue dos escravos e escalda
A mente dos poetas.

E em cada gesto nosso uma flor indecifrada
Que se levanta e se estende generosa
Prenhe de vontade
E gloriosa
Em seu jeito
De florir.

Nada além de cada Aurora
E os fios que nos atam
Frutos em espera
Como gomos
Em boca
Ávida.

Sabemos que o pão que amassamos
Nunca será mesa em nos que sentemos
E no entanto dizemos:
“Este é o nosso Tempo,
Semeemos”!

Manuel Veiga



sábado, dezembro 03, 2016

Da Metáfora do Mundo


Bem no alto, no topo mais alto de todos os topos
Onde todas as bandeiras se desenham e os ventos
Flutuam abrindo espaço aos hinos e as espadas
São o faiscante sol das batalhas e as gloriosas
Demandas de todos os destinos e os passos dos homens
O pulsar ainda magma das cidades futuras e os mares
São o sonho líquido das montanhas e as caravelas
Um punho fechado de utopias desertas. Nevoeiro
E visionário rasgo de profecias alvoroçadas
E as pátrias são iniciático gesto e o ombro de escravos
E os dias se contam por mistérios.

E a música é planície
Sem topo e infinito silêncio maturado de mil ecos
E respiração das estátuas.

E todas as coisas falam
Do seu destino na linguagem primordial dos afectos
E das recusas e se moldam qual partitura de uma sinfonia
Sem maestro. E as palavras e as coisas se incendeiam
No mesmo fogo. E se dizem numa geografia de territórios
Íntimos. Verso e reverso da mesma fala. Trama de luz
E sombra a desenhar os invisíveis fios da memória
E as brumas da História.

Então o poeta demiúrgico embora é aprendiz de feiticeiro
E o poema não mais que desmaiado reflexo
Da grande metáfora do Mundo.

Manuel Veiga